Aquele artista encenou uma mesma peça teatral, com o maior sucesso, por mais de doze anos. Era um monólogo em que fazia o papel de um rei. Ao final de todas as suas apresentações , ele era sempre muito aplaudido e todos o elogiavam pelo seu talento. Ver aquele público aplaudindo-o de pé, radiante de emoção , era, para o artista,a apoteose, a selva para sua vida, a sua maior alegria.

Longe do palco as coisas eram bem diferentes, sentia-se muito só e deprimido. Interiormente agarrava-se à sua única motivação para viver: representar. Contava as horas para chegar o momento de sua aparição no palco, quando, por detrás daquele manto real e empunhando o cetro, ele se sentiria o centro de todas as atenções. Nos momentos de encenação, ele se identificava tão profundamente com o seu personagem, que se esquecia até mesmo de quem era.

Um dia aconteceu algo estranho. Ao término de sua apresentação, em meio aos aplausos, no descerrar das cortinas, ele não foi, como sempre para o camarim. Para surpresa de seu público ele reapareceu no palco e desceu para o meio da plateia com a sua veste real, esperando a reverência de todos – seus súditos. Sem compreender muito bem aquilo, o público foi emudecendo as palmas. Sussurros nervosos e espanto, ao ver o artista-rei, descendo as escadarias do prédio do teatro, em direção às ruas do seu reino de loucura.

Pense nisso!!!

Devemos trabalhar nossos mecanismos internos para que nossas vidas não fiquem decoradas pelas máscaras. Levando-nos a acreditar que somos o que não somos e nessa crença entrarmos num mundo sem volta: a loucura.

 

Vera Lucia Pereira Dias

Socióloga

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