“O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
Quando começa a pensar…”
Lupicinio Rodrigues
Lidar com minhas incertezas.

Redimensionar minhas competências.

Ninguém é competente sozinho.
Assim sendo, a glória de grandes pensadores, cantores, artistas, esportista ou mesmo dos mais renomados cientistas não deve estar ligada ao valor absoluto ou eterno que podem dar às suas realizações, mas, isto sim, ao valor relativo e temporal, que são intrínsecos de tais realizações.
Tão certo quanto o nascer do sol amanhã cedo é o surgimento do novo: nada é eterno, nada há que seja tão absolutamente comprovado, que não admita as modificações , pela superação ou substituições. Uma verdade que muda com o curso inexorável do tempo, denuncia não só o esgotamento da verdade anterior, porque a supera, como invade o espírito do humano para, humildemente, aceitá-la.!
Enfim tais reflexões aqui divididas têm como fim último lembrar que, quando se discute competência, o que está em jogo, não é determinar o quê ou o quanto se sabe, mas o por quê e o para que se sabe!
Igualmente está em jogo, não é determinar o quê ou o quanto se faz,mas o por quê e o para que se faz.
Este é o momento extremo da tomada de consciência da própria competência!
Não se confunda alhos com bugalhos, não se confunda competência com competitividade ou competição.
Competência só tem patente registrada e única no mundo comercial, mesmo assim por tempo limitado.

Se atribuíssemos uma realização empírica ou teórica à uma iluminação miraculosa de um único humano,ou a um pequeno grupo, num determinado momento estaríamos sendo no mínimo injustos, porque negaríamos a história e o esforço secular de todos os humanos.
A verdade, na Ciência, mostra sempre uma conquista histórica.
A competência, no humano, revela, igualmente, uma conquista histórica,isto é, a história das competências.

Tal história denuncia que a competência daquele determinado humano é a continuidade de tantas e tantas tentativas, é a procura de outras alternativas, é enfim, a continuidade da história das competências daquele determinado humano, é é a continuidade de tantas tentativas, e a procura de outras, enfim, a continuidade da história das competências! Retornamos ao conceito de interdependência, agora, no plural: interdependências.
Senão vejamos: de início, como é pobrezinho este humano, que nasce sem saber de quase nada e está condenado a morrer inacabado. Sim, por mais competente que venha ser, por mais habilidades que tenha desenvolvido, morrerá inacabado!
Raciocine conosco: se um humano tivesse mais uma hora de vida, ou mais dois dias, ou mais um mês… ainda teria muito o que aprender, o que pensar, ou o que criar.

A condenação ao inacabamento por si só é o sinal maior de nossa fragilidade, de nossa igualdade e, por incrível que pareça, de nossa grandiosidade: morremos todos iguais: inacabados!
Alguém já disse que o humano nasce animal e a partir das relações interpessoais e da Educação , tornar-se-a pessoa! Semelhante à história de Pinóquio, que nasceu Madeira e tornou-se pessoa. Sim, só nos tornaremos pessoas junto com outras pessoas e por causa delas.
Igualmente , só nos tornamos competentes junto com as outras pessoas e por causa delas.
Cada um de nós, uma pessoa diferente ! Enfim, um humano competente, diferentemente competente. Diferentemente humano.

Paulo Afonso Caruso Ronca
Cleide do Amaral Terzi

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